Ligando os pontos
Os textos neste espaço são fruto de observações cotidianas de mais de duas décadas sobre um dos momentos mais cruciais do Brasil e do mundo em relação à evolução de uma revolução. Mais do que uma nova fase da transformação digital, marcada pela adoção e uso de tecnologias disruptivas, testemunhamos a ascensão de um novo setor à condição de motor da economia mundial. De um setor que não se limita a desempenhar seu papel como agente produtivo monopolista, mas cuja atuação impacta a política, a cultura, a guerra, as democracias, os modos de vida e as relações pessoais em escala planetária.
Um pequeno grupo de conglomerados transnacionais que com a alteração de um modelo de negócios, ou destaque a uma determinada informação, pode afetar a forma com que bilhões de pessoas se alimentam, se comunicam, consomem, votam. Pode causar doenças mentais em massa ou pode salvar vidas. Pode gerar oportunidades de trabalho ou levar uma pessoa à falência por dívidas em apostas. Pode eleger autocratas ou deixar as pessoas mais tolerantes.
Tamanha influência, garantida por uma onipresença em todos os territórios, tem cobrado seu preço da humanidade. Seja pelo consumo de recursos naturais em escalas monumentais, seja pelo estímulo e promoção de discursos de ódio travestidos de exercício da liberdade de expressão, parece que o mundo está percebendo que chegamos a um limite de permissividade para com esses grupos e seu capital controlador. Depois de uma letargia que durou pelo menos duas décadas, cidadãos e governos perceberam que um freio de arrumação se faz necessário.
Mas a tarefa de definir barreiras institucionais para este trem desgovernardo é um desafio que também cobra seu preço. Isso porque há meio século criou-se uma ideologia liberal em torno de uma falácia, que tem se transformado em dogma. Uma narrativa que sustente que a Internet é livre e aberta e não pode ser objeto de alteração de sua essência sob pena de fragmentação da rede mundial, com o consequente fim de uma grande aliança forjada por pessoas e instituições que buscam o bem comum.
Esta concepção, que não encontra mais evidência na realidade, serviu de manto protetor para a expansão e livre atuação destas firmas sem qualquer tipo de regulação ou supervisão estatal como acontece com os demais setores econômicos. Qualquer um que questione esta visão é tachado de autoritário e contrário à liberdade de expressão.
Os textos que o leitor encontrará aqui tentam contar essas histórias de forma que cada uma ou outra árvore digital possa lhe dar uma ideia da floresta em que estamos embrenhados. Boa sorte na jornada, cara ou caro peregrino!
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I'm a passionate Brazilian civil servant on the digital agenda writing about topics such as digital economy, internet governance, digital platforms regulation, data-driven economy and so on. I used this space to share my thoughts related to these issues having as landscape the geopolitical changes in the new world order.
